segunda-feira, 4 de novembro de 2013

ORIGEM

Caberá a mim perceber, e zelar,
pela beleza ora dócil, ora transfigurada das palavras.
Ela nascerá dentro do meu pensamento
sem que de fato entenda como tal arte é possível;
e se revelará em um todo perfeito, antes mesmo
que chegue a se materializar em um forma fonética.
Eu derramarei minhas palavras, como água,
em correntes de poesias.
E me sentirei imensamente feliz e humana.
Algo como uma dor muito forte, uma surda
e inconcebível explicação para o mundo
transbordará e se verterá pelas mesmas linhas em
que se misturam medo e alegria,
verdade e ficção.
Eu terei respostas.
Eu estarei em paz.
As birras do mundo, que são,
diante da beleza que guardo
dentro da matéria do meu pensamento,
esta que abriga sentimentos,
figurações e temores;
Caberá responder porque gozo desta paixão tão cega, 
que me torna cega em minha própria arrogância,
em um certo sentimento, quiçá inoportuno,
de altivez em poder ser dona
das minhas únicas, mas tantas, palavras.

AC


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