https://www.instagram.com/reel/DWFWu0IjZt4/?igsh=czd2ZnA5ZDEzYTFq
Eu fico impressionado como o mundo subestima Putin e as autocracias em geral. Mas eu entendo o mecanismo posto a agir para distorcer as percepções que criam *a passagem para os despotas*, que por ela conseguem avançar, ora despercebidos, ora aclamados. De modo bem resumido, os que entendem a democracia como ameaça aos seus projetos de poder exploram um sentimento comum que naturalmente surge dentre os herdeiros dos que morreram pela liberdade, que é o de _"take things for granted"_(traduzido não tem o significado completo). Sabendo que, de modo geral, as pessoas tendem a reduzir a percepção de valor de coisas que parecem garantidas, os inimigos da liberdade financiam e promovem a propaganda que exarceba o peso dos problemas "ainda não resolvidos" pelas sociedades livres. Problemas estes que não foram criados pela condição democrática e livre destas sociedades, mas que sempre existiram. Pobreza, violência e injustiça constituem a natureza bruta da qual o homem sugiu e onde sempre esteve inserido. Rousseau estava errado! Direta ou indiretamente, os inimigos da liberdade culpam, em primeiro lugar, a abstração que, marotamente, batizaram de capitalismo, que nada mais é do que a simples liberdade de se produzir e circular a riqueza, pois sabem que se a riqueza é produzida e circula livremente, junto com ela segue o poder, que se torna muito mais fluído e difícil de se controlar. Não é à toa que, jamais se esquecendo que o absolutismo foi guilhotinado pela burguesia, Putin "suicida" os plutocratas que ele mesmo ajudou a criar, da mesma forma que Xi Jinping desaparece os milionários chineses quando eles ameaçam se livrar dos cordões que os ata ao Partido. A propaganda contra as democracias não poderia ter o _slogan_ da antiliberdade por motivos óbvios. Assim, o que anunciam é a luta contra aqueles problemas que não nasceram com a democracia, mas que, lentamente, vêm sido solucionados por ela. Os despotas não querem que o poder real seja distribuído livremente de acordo com a contribuição de cada indivíduo para a solução dos problemas da sociedade - sim, o poder jamais será distribuído igualmente, sempre haverá um critério de distribuição de poder. E não conheço critério mais natural e menos problemático do que o mérito que é reconhecido livremente por aqueles outorgam o poder. Os despotas arrogam-se e vendem-se como tradutores dos anseios dos indivíduos, iludindo-os sobre suas próprias prioridades. E este ilusionismo é facilitado quando as coisas realmente valiosas passam a ser percebidas como menos importantes porque são entendidas como garantidas. Esta ilusão transfere a causa dos problemas para o próprio sistema que os resolve, sobretudo quando a grama dos despotas parece mais verde, já que o jardim criado por eles esconde os graves efeitos indesejados produzidos por aqueles que se arrojam jardineiros da floresta. Na propaganda contra as democracias, o Estado é apresentado como solução mágica para aliviar o desconforto provocado pelo confuso, porém produtivo caos inerente à liberdade.
Nenhum comentário:
Postar um comentário